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RECONSTRUINDO TEMPLOS SAGRADOS

By 31 de julho de 2020 No Comments

“-Francisco!… Reconstrói a minha igreja!”

 A mensagem da grande voz palpitava no ser de Francisco, com imagens vivas que subiam ao consciente, fazendo-o recordar-se de sua missão junto aos homens. Assim ouvia, em um de seus momentos de conexão com o Mestre Jesus. Com estranheza, recebeu este Comando Crístico que o paralisara na sua porção humana, sem saber ao certo como realiza-lo. Naquele instante ainda não sabia, que dentro de si tudo já estava escrito, precisando fazer por si só a escuta e trazer para esta dimensão física, o verdadeiro sentido daquele apelo.

Ciente estava da sua Missão Sagrada: Reconstruir templos, ir além dos véus limitantes da mente humana. Via–se então, o Mestre na sua humanidade reconstruindo paredes de uma pequena capela, a igrejinha de São Damião. Era preciso começar a honrar o apelo do Mestre Jesus. E ali estava ele, reconstruindo templos. A humanidade dele compreendera, inicialmente assim, o apelo Sagrado que lhe havia chegado. Saia reconstruindo templos e ali abrindo portas, para as criaturas fazerem a entrega de suas mentes e coração à Deus. Seus passos foram sendo guiados e iluminados, fazendo inspirar e despertar muitas pessoas, que uniam suas forças e seus corações para as Tarefas Sagradas que se propunham.

Assim o Mestre caminhava, sem se dar conta de que a sua humanidade, já de braços dados com a sua divindade, incansavelmente reconstruía Templos Sagrados. Já não se via o mestre Francisco apenas construindo paredes, levantando casas, reformando igrejas, mascuidando e amparando criaturas em total abandono, cujos corpos dilacerados pela lepra, literalmente desmontavam, caindo pedaços, como as igrejas e os templos que buscava reestruturar.

“Francisco, Francisco, reconstrói a minha igreja!”

O Mestre encontrara a sua missão. Permitira-se ser guiado até o verdadeiro sentido deste comando divino. Permitira-se honrar o seu Contrato Sagrado e ser o que veio ser, fazer o que veio fazer.

Mestre Francisco, incansavelmente saia cuidando dos templos sagrados, que iam compondo o cenário da sua jornada: Os corpos cobertos de lepra, os corações desmoronando de dores, as mentes crucificadas e aprisionadas na negatividade das mazelas humanas, as almas sedentas de luz, desconectadas da sua origem, distanciadas de sua verdadeira identidade Cósmica.

O Mestre passarinheiro reconstruía templos; os Templos de Deus. Nesta Missão Sagrada, unificava-se com as forças da Natureza e dela tornara-se irmão e parceiro.

Irmão sol, irmã lua, irmãos pássaros, irmão lobo, as águas, o fogo, o vento, as flores, as pedras, as árvores. Toda a Natureza enfim colocara a sua força a serviço daquele ser, para que honrasse o seu Sagrado Contrato. Ele, os elementais da Natureza, todas as consciências e todos os seres sensientes, se fizeram um só instrumento.

Com humildade e servidão, não se dava conta de que reconstruía os verdadeiros Templos de Deus, quando curava a alma e o coração do ser humano, realinhando-os na Luz do amor.

Todos, discípulos e leprosos, colaboradores, ricos e pobre, sãos e enfermos, sábios e ignorantes; faziam parte de uma rede sistêmica de Luz, quando tomavam parte da reconstrução da igreja do Senhor. Todos, doando ou recebendo, estavam sendo curados e curadores. Seus templos, preenchidos com a Luz do Amor, da compaixão e da caridade, no servir, reabriam as portas para Deus.

Para mim esta é a maior das maiores lições que o Mestre Francisco nos deixou, muito atualizada por sinal: É preciso reconstruir o Templo de Deus, reedificar o coração do Homem no amor, na compaixão, na caridade e no serviço. A presença do Mestre Francisco é sólida e lúcida em toda a minha vida. É preciso que eu continue fazendo a escuta do apelo Crístico, rogando a reconstrução da sua igreja.

É preciso que eu reconheça e acolha o meu corpo, como um Templo Sagrado do Grande Espírito e não um túmulo da alma vã.

É preciso que eu reconheça o meu coração como um Portal Alquímico, onde a síntese Humanidade – Divindade se faz e, assim, chegar à inteireza do meu ser.

É preciso que eu acolha e reverencie as forças e os guardiões da Natureza em cada célula do meu corpo, assim como a Mãe Terra me reconhece como célula do seu Sagrado corpo.

Neste instante eu me recolho ao templo do meu coração, no inspirar e no expirar, do Sopro Sagrado que em mim respira, reconheço que a minha missão também é reconstruir Templos.

Reconheço que esta tem sido a minha sagrada tarefa, quando me coloco como instrumento do Amor. Quando me vejo escutando almas a partir do meu silêncio, reedificando mentes, realinhando corações. Quando acompanho travessias sombrias lado a lado, inspirando caminhos, testemunhando seres buscando fazer novas escolhas libertadoras e edificantes, descrucificando-se e trazendo à ressurreição o Ser que nunca deixaram de ser. Assistindo seres assumindo a Verdade Sagrada de sua origem, buscando a sua inteireza e assim serem o bastante.

Reconheço em mim e em todos os outros seres, que a natureza humana é amorosa, pacífica e feliz, este, o retrato do Templo de Deus reedificado.

Nesta constatação quieta, sinto que o Mestre Francisco sempre esteve comigo, a me inspirar, pois minha tarefa tem sido suave e prazerosa, como quem apenas segue com muita segurança as instruções de um guia.

Este preparo precisou acontecer e, ainda continua acontecendo, primeiro em mim. A minha vida, a minha jornada evolutiva, a minha caminhada de auto-conhecimento, as dores da autotransformação e a expansão da minha consciência, têm sido a grandiosa escola que me capacita à reconstrução dos Templos Sagrados que vão compondo o cenário da minha história.

Tenho uma profunda gratidão e honro o meu ser por ter chegado até aqui. Como honro a consciência que tenho, de que só posso acompanhar as criaturas que me chegam para serem cuidadas, até a condição evolutiva em que me encontro, jamais além.

Assim, é preciso continuar reedificando o Templo Sagrado do meu próprio ser, para que ele seja um instrumento inspirador da Presença do Grande Espírito, a despertar outros seres a darem seus próprios passos.

É com gratidão que eu, neste instante, constato a presença sólida do Mestre Francisco de Assis na minha vida e me abro, com o mais profundo desprendimento do meu coração, a continuar a ser um instrumento de Amor a seu serviço.

É minha intenção continuar, incansavelmente a serviço da Luz, acolhendo as criaturas que me chegam, me fazendo instrumento para a reconstrução do Templo de Deus. É minha intenção ser o que eu vim ser e fazer o que eu vim fazer nesta sagrada existência, honrando o meu Contrato Sagrado.

É minha intenção continuar atenta à reedificação constante do meu ser, cuidar das distorções da energia do Amor na minha mente, no meu coração e nos meus atos.

Eu me entrego à guiança do Grande Espírito, através da Luz do meu Mestre Francisco de Assis. Eu me coloco como serva da Grande Luz.

Eu Sou

Eu Sou

Eu Sou

 

Escrito na madrugada de 03/09/2007 no final do 5º grupo do STAF, quando foi feita a consagração da Grutinha de São Francisco.

Extrato do livro “RETALHOS – Não é preciso ser perfeito pra ser inteiro.

Por Zunara Lyra

Psicoterapeuta Instituto Ser Luz.